O Pacífico está mais quente do que o normal, e isso já não é mais hipótese. Em junho de 2026, a NOAA (agência de clima dos Estados Unidos) confirmou oficialmente o início do episódio de El Niño 2026/2027, um fenômeno que tende a se intensificar no segundo semestre e que carrega um histórico conhecido no Brasil: pressão sobre a safra e, na sequência, sobre o preço da comida.
Não é motivo para pânico, mas é motivo para atenção. Vamos entender o que está em jogo.
O fenômeno já começou, a dúvida agora é a intensidade.
O El Niño faz parte do ciclo natural ENOS (El Niño–Oscilação Sul), que alterna entre fases quentes, frias e neutras no Pacífico equatorial. Ainda no início do ano, o cenário era de incerteza; ao longo do outono, a probabilidade de formação foi subindo de forma consistente, até a confirmação recente pela NOAA.
A grande questão em aberto é a força do fenômeno. Há leituras divergentes entre os institutos: alguns cenários apontam para um El Niño moderado a forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, enquanto análises mais recentes, como as da Climatempo, sugerem que um evento de forte intensidade é hoje o cenário mais provável — alimentando, inclusive, comparações com episódios históricos de "Super El Niño", como o de 1997/1998. Vale o alerta: a intensidade exata só fica mais clara com o evento já em curso, então essas projeções ainda podem mudar.
Como o Brasil deve sentir o fenômeno
O impacto não é uniforme, varia bastante de região para região:
E o impacto no preço da comida?
Esse é o ponto que mais preocupa o consumidor, e os números já começam a aparecer. Economistas vêm revisando para cima as projeções de inflação de alimentos no Brasil em 2026, somando os efeitos do El Niño aos de outros choques externos. Estimativas de instituições financeiras apontam para uma alta superior a 7% nos preços da alimentação consumida em casa ao longo do ano, patamar que, se confirmado, seria o maior desde 2024. Para se ter uma referência, em 2025 esse índice havia subido apenas 1,43%.
Analistas do mercado calculam que o fator climático, isoladamente, pode adicionar entre 0,8 e 1 ponto percentual à inflação geral. E o efeito tende a não ser imediato: segundo um estudo do setor financeiro, a inflação de alimentos costuma reagir ao aquecimento do Pacífico com uma defasagem de cerca de seis meses, o que significa que boa parte da pressão sobre os preços pode aparecer com mais força só em 2027.
Os produtos mais sensíveis costumam ser os grãos (soja, milho, trigo), hortaliças, frutas, leite e carnes, estes últimos puxados indiretamente pelo encarecimento da ração animal, baseada em milho e soja.
Vale a pena estocar alimentos?
Vale a pena se planejar, não estocar por impulso. A diferença entre as duas atitudes é grande:
Dicas práticas para atravessar esse período
Perguntas frequentes sobre o El Niño 2026/2027
O El Niño 2026/2027 já começou? Sim. A NOAA confirmou oficialmente, em junho de 2026, o início do episódio de El Niño 2026/2027. A intensidade exata do fenômeno ainda está em definição e deve ficar mais clara ao longo do segundo semestre.
Quanto os preços dos alimentos podem subir por causa do El Niño em 2026? Estimativas de instituições financeiras apontam para uma alta superior a 7% nos alimentos consumidos em casa em 2026, com o fator climático isolado podendo adicionar entre 0,8 e 1 ponto percentual à inflação geral do país.
Quais alimentos são mais afetados pelo El Niño no Brasil? Grãos como soja, milho e trigo, além de hortaliças, frutas, leite e carnes, costumam ser os mais sensíveis, as carnes principalmente pelo encarecimento indireto da ração animal.
Vale a pena estocar alimentos por causa do El Niño? Vale a pena manter uma reserva moderada de itens não perecíveis, comprados gradualmente. Não vale a pena fazer compras em grande volume por impulso, já que isso pressiona ainda mais os preços e pode gerar desperdício.
Quando os efeitos do El Niño devem ser mais sentidos nos preços? Estudos do setor financeiro indicam uma defasagem de cerca de seis meses entre o aquecimento do Pacífico e o impacto na inflação de alimentos, o que significa que parte da pressão mais forte deve aparecer só em 2027.
O El Niño 2026/2027 já é realidade, o que ainda está em definição é a sua força. O cenário mais provável aponta para pressão real sobre os preços dos alimentos no Brasil, com efeitos que devem se intensificar ao longo do segundo semestre e se estender para 2027. Não é hora de alarmismo, mas é hora de planejamento: reservas moderadas, atenção aos preços e prioridade para o consumo essencial são as estratégias mais sensatas diante de um cenário que ainda tem variáveis em aberto.
Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de: CNN Brasil, MetSul Meteorologia, INMET — Instituto Nacional de Meteorologia, INPE/INMET/Funceme/Censipam — Nota Técnica, Conjunta El Niño 2026, Gazeta do Povo, Revista Oeste, Diário do Comércio, Correio Braziliense, Money Report
Não é motivo para pânico, mas é motivo para atenção. Vamos entender o que está em jogo.
O fenômeno já começou, a dúvida agora é a intensidade.
O El Niño faz parte do ciclo natural ENOS (El Niño–Oscilação Sul), que alterna entre fases quentes, frias e neutras no Pacífico equatorial. Ainda no início do ano, o cenário era de incerteza; ao longo do outono, a probabilidade de formação foi subindo de forma consistente, até a confirmação recente pela NOAA.
A grande questão em aberto é a força do fenômeno. Há leituras divergentes entre os institutos: alguns cenários apontam para um El Niño moderado a forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, enquanto análises mais recentes, como as da Climatempo, sugerem que um evento de forte intensidade é hoje o cenário mais provável — alimentando, inclusive, comparações com episódios históricos de "Super El Niño", como o de 1997/1998. Vale o alerta: a intensidade exata só fica mais clara com o evento já em curso, então essas projeções ainda podem mudar.
Como o Brasil deve sentir o fenômeno
O impacto não é uniforme, varia bastante de região para região:
- Região Sul: tendência de chuvas acima da média, com risco de encharcamento do solo, doenças fúngicas e perdas em cereais de inverno, como o trigo.
- Norte e Nordeste: risco de seca mais intensa e prolongada, afetando especialmente a agricultura familiar e as culturas de sequeiro.
- Centro-Oeste e Sudeste: chuvas mais irregulares e temperaturas mais altas, com efeitos que dependem da interação com outros fenômenos oceânicos.
E o impacto no preço da comida?
Esse é o ponto que mais preocupa o consumidor, e os números já começam a aparecer. Economistas vêm revisando para cima as projeções de inflação de alimentos no Brasil em 2026, somando os efeitos do El Niño aos de outros choques externos. Estimativas de instituições financeiras apontam para uma alta superior a 7% nos preços da alimentação consumida em casa ao longo do ano, patamar que, se confirmado, seria o maior desde 2024. Para se ter uma referência, em 2025 esse índice havia subido apenas 1,43%.
Analistas do mercado calculam que o fator climático, isoladamente, pode adicionar entre 0,8 e 1 ponto percentual à inflação geral. E o efeito tende a não ser imediato: segundo um estudo do setor financeiro, a inflação de alimentos costuma reagir ao aquecimento do Pacífico com uma defasagem de cerca de seis meses, o que significa que boa parte da pressão sobre os preços pode aparecer com mais força só em 2027.
Os produtos mais sensíveis costumam ser os grãos (soja, milho, trigo), hortaliças, frutas, leite e carnes, estes últimos puxados indiretamente pelo encarecimento da ração animal, baseada em milho e soja.
Vale a pena estocar alimentos?
Vale a pena se planejar, não estocar por impulso. A diferença entre as duas atitudes é grande:
- Faz sentido: montar uma reserva moderada de itens não perecíveis e de consumo recorrente (arroz, feijão, macarrão, óleo, farinha, enlatados), comprando aos poucos e aproveitando promoções.
- Não faz sentido: comprar em grande volume de uma vez só, por medo. Isso pressiona ainda mais a demanda no curto prazo, gera desperdício e pode comprometer o orçamento da família sem necessidade.
Dicas práticas para atravessar esse período
- Acompanhe os preços das hortaliças e frutas na sua região, são os primeiros itens a reagir a chuva em excesso ou seca.
- Priorize produtores locais quando possível: cadeias mais curtas tendem a sofrer menos com gargalos logísticos.
- Distribua as compras ao longo do ano, em vez de concentrar tudo num único momento de pânico.
- Fique atento à conta de água e luz: o El Niño também pressiona reservatórios e o sistema elétrico, o que pode se refletir em custos indiretos.
- Evite comprometer o orçamento com estoque: segurança alimentar não deve significar endividamento.
Perguntas frequentes sobre o El Niño 2026/2027
O El Niño 2026/2027 já começou? Sim. A NOAA confirmou oficialmente, em junho de 2026, o início do episódio de El Niño 2026/2027. A intensidade exata do fenômeno ainda está em definição e deve ficar mais clara ao longo do segundo semestre.
Quanto os preços dos alimentos podem subir por causa do El Niño em 2026? Estimativas de instituições financeiras apontam para uma alta superior a 7% nos alimentos consumidos em casa em 2026, com o fator climático isolado podendo adicionar entre 0,8 e 1 ponto percentual à inflação geral do país.
Quais alimentos são mais afetados pelo El Niño no Brasil? Grãos como soja, milho e trigo, além de hortaliças, frutas, leite e carnes, costumam ser os mais sensíveis, as carnes principalmente pelo encarecimento indireto da ração animal.
Vale a pena estocar alimentos por causa do El Niño? Vale a pena manter uma reserva moderada de itens não perecíveis, comprados gradualmente. Não vale a pena fazer compras em grande volume por impulso, já que isso pressiona ainda mais os preços e pode gerar desperdício.
Quando os efeitos do El Niño devem ser mais sentidos nos preços? Estudos do setor financeiro indicam uma defasagem de cerca de seis meses entre o aquecimento do Pacífico e o impacto na inflação de alimentos, o que significa que parte da pressão mais forte deve aparecer só em 2027.
O El Niño 2026/2027 já é realidade, o que ainda está em definição é a sua força. O cenário mais provável aponta para pressão real sobre os preços dos alimentos no Brasil, com efeitos que devem se intensificar ao longo do segundo semestre e se estender para 2027. Não é hora de alarmismo, mas é hora de planejamento: reservas moderadas, atenção aos preços e prioridade para o consumo essencial são as estratégias mais sensatas diante de um cenário que ainda tem variáveis em aberto.
Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de: CNN Brasil, MetSul Meteorologia, INMET — Instituto Nacional de Meteorologia, INPE/INMET/Funceme/Censipam — Nota Técnica, Conjunta El Niño 2026, Gazeta do Povo, Revista Oeste, Diário do Comércio, Correio Braziliense, Money Report












