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sábado, 8 de agosto de 2026

sábado, agosto 08, 2026

Orion: o laboratório de biossegurança máxima que está em construção no Brasil para estudar alguns dos vírus mais perigosos do mundo

Conheça o Orion, futuro laboratório de biossegurança máxima NB4 do Brasil. Saiba quais agentes perigosos poderão ser estudados no complexo e como funcionam suas rigorosas medidas de segurança.

Um laboratório criado para estudar aquilo que não pode ser tratado como um risco comum

Imagine um laboratório onde uma pequena amostra biológica pode exigir um nível de contenção muito superior ao encontrado em hospitais, universidades ou centros de pesquisa convencionais.

É nesse cenário que surge o Orion, complexo laboratorial de pesquisas avançadas em patógenos que está sendo construído no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, São Paulo.

O projeto prevê instalações de biossegurança de nível 4, conhecidas como NB4, o mais alto grau de contenção biológica. A estrutura também contará com áreas NB2 e NB3, laboratórios de pesquisa, técnicas analíticas e sistemas avançados de bioimagem.

O objetivo não é simplesmente estudar doenças conhecidas.

O Orion foi concebido para permitir que pesquisadores brasileiros investiguem patógenos capazes de provocar doenças graves, altamente transmissíveis ou potencialmente fatais, inclusive agentes para os quais existem poucas opções de tratamento ou prevenção.

E é justamente aí que surge a pergunta que torna o projeto tão fascinante:

O que pode ser estudado dentro de um laboratório considerado de biossegurança máxima?

Quais perigos biológicos o Orion poderá estudar?

O nível NB4 é destinado a trabalhos que envolvem agentes biológicos de risco extremo. São microrganismos que podem representar uma ameaça significativa à saúde humana e, em determinadas situações, não contam com vacinas ou tratamentos amplamente disponíveis.

Entre os exemplos citados pelo próprio CNPEM estão agentes presentes ou relevantes para a América Latina, como os arenavírus responsáveis pelas febres hemorrágicas Sabiá, Junín, Guanarito e Machupo.

O projeto também menciona vírus de alta importância sanitária em outras regiões do planeta, como Hendra e Nipah, associados a doenças graves.

Um dos exemplos mais importantes para o Brasil é o vírus Sabiá.

Identificado em território brasileiro, o agente pertence a um grupo de vírus que exige condições de máxima contenção para pesquisas avançadas. Segundo o CNPEM, amostras relacionadas ao vírus estão armazenadas no exterior justamente porque o país não dispunha de uma infraestrutura NB4 capaz de permitir esse tipo de investigação com a contenção necessária.

Isso significa que o Orion poderá ajudar o Brasil a estudar, dentro de sua própria infraestrutura, agentes que anteriormente exigiam colaboração ou envio de material para instalações especializadas de outros países.

Por que esses agentes exigem um laboratório NB4?

Nem todo microrganismo perigoso precisa de um laboratório de nível 4.

A classificação de biossegurança considera fatores como a gravidade das doenças provocadas, o risco de transmissão, as características do agente e a existência ou não de medidas eficazes de prevenção e tratamento.

O NB4 representa o nível máximo de contenção.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, laboratórios desse nível são destinados ao estudo de agentes extremamente perigosos e que podem provocar doenças graves, muitas vezes sem vacina ou tratamento disponível.

Isso muda completamente a maneira como o laboratório é projetado.

Não basta colocar o pesquisador dentro de uma sala e utilizar equipamentos de proteção individual.

A própria arquitetura do edifício passa a fazer parte do sistema de segurança.

Como o Orion pretende impedir que um agente perigoso escape?

A segurança de uma instalação NB4 não depende de uma única barreira.

Ela funciona por meio de camadas de contenção, projetadas para que uma eventual falha em determinado componente não signifique automaticamente uma exposição ao ambiente externo.

O projeto Orion prevê diferentes mecanismos de proteção, entre eles sistemas de tratamento de ar, pressão negativa, descontaminação e equipamentos específicos de contenção.

Essa redundância é uma das características mais importantes de uma instalação de máxima contenção.

A pressão negativa: uma barreira invisível contra a propagação

Uma das medidas de segurança mais importantes é a chamada pressão negativa.

Em termos simples, o sistema é projetado para fazer com que o fluxo de ar siga uma direção controlada, impedindo que o ar potencialmente contaminado de uma área de contenção simplesmente se desloque para ambientes externos.

O Orion prevê uma espécie de cascata de pressão negativa, incluindo áreas de segurança ao redor dos ambientes de maior contenção.

Sensores acompanham continuamente as condições de pressão, permitindo o monitoramento do sistema.

É uma solução que pode parecer invisível para quem observa o prédio de fora, mas representa uma das principais barreiras físicas contra a dispersão de agentes biológicos.

E o ar contaminado?

O ar também precisa passar por um sistema de contenção.

Segundo o CNPEM, instalações NB4 utilizam filtros HEPA, capazes de reter partículas extremamente pequenas. No projeto Orion, o ar passa por sistemas de filtragem antes de ser liberado para o ambiente externo.

O Ministério da Ciência também descreve os laboratórios NB4 como instalações com ventilação controlada, pressão negativa e filtragem do ar, sem recirculação do ar potencialmente contaminado para áreas externas.

Dessa forma, o sistema de ventilação não funciona apenas para proporcionar conforto aos pesquisadores.

Ele faz parte da própria estratégia de biossegurança.

O pesquisador também precisa de uma barreira especial

Em determinadas operações de máxima contenção, os pesquisadores utilizam trajes especiais com pressão positiva.

Esse tipo de traje fornece ar sob pressão e cria uma barreira adicional entre o profissional e o ambiente de trabalho.

O sistema é acompanhado por protocolos específicos de entrada, saída e descontaminação.

Isso significa que trabalhar em um ambiente NB4 não é simplesmente vestir um equipamento de proteção e entrar.

Existe todo um conjunto de procedimentos destinados a reduzir o risco de exposição durante cada etapa da atividade.

O que acontece com roupas, líquidos e resíduos?

A segurança não termina quando o experimento acaba.

Materiais utilizados durante as pesquisas também precisam ser tratados antes de deixar as áreas de contenção.

O projeto Orion prevê procedimentos específicos para descontaminação e descarte. Entre os mecanismos apresentados pelo CNPEM está a autoclavagem de roupas hospitalares utilizadas sob o macacão de proteção, antes que elas sigam para outras etapas de lavagem.

Líquidos e outros resíduos também precisam passar por processos de descontaminação antes de serem descartados, seguindo os requisitos de uma instalação de máxima contenção.

A lógica é simples:

não basta impedir que o agente saia pelo ar. É preciso controlar todas as possíveis rotas de saída.

O Orion será conectado ao Sirius

Aqui está uma das características que tornam o projeto brasileiro particularmente diferente.

O Orion será conectado ao Sirius, o acelerador de partículas do CNPEM que produz luz síncrotron para pesquisas científicas.

Essa integração permitirá utilizar linhas de luz do Sirius para investigar amostras biológicas em condições de máxima contenção.

Segundo o CNPEM e o Ministério da Saúde, essa será a primeira infraestrutura desse tipo no mundo conectada a uma fonte de luz síncrotron.

A conexão cria uma possibilidade científica importante.

Pesquisadores poderão estudar estruturas e processos relacionados a patógenos utilizando técnicas avançadas de análise e imagem, aproximando duas áreas que normalmente funcionam em ambientes separados: pesquisa com agentes biológicos de alto risco e técnicas avançadas baseadas em luz síncrotron.

Veja como será o complexo Orion



O projeto Orion reúne uma estrutura de biossegurança máxima com tecnologias avançadas de pesquisa. Neste vídeo, é possível conhecer melhor o complexo e entender como o laboratório será integrado ao campus do CNPEM e ao acelerador de partículas Sirius.

Por que estudar esses agentes dentro do Brasil é importante?

A ausência de uma infraestrutura NB4 própria cria uma dependência científica.

Quando um país não possui condições adequadas para trabalhar com determinados agentes de alto risco, pesquisadores podem precisar recorrer a instalações estrangeiras para realizar parte dessas investigações.

Isso pode dificultar pesquisas, aumentar o tempo necessário para obter respostas e limitar a capacidade nacional de reagir rapidamente a determinados problemas de saúde pública.

O Orion foi concebido justamente para reduzir essa dependência.

O CNPEM considera o projeto uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento de diagnósticos, vacinas, tratamentos, estratégias epidemiológicas e ações de vigilância.

O laboratório também poderá ajudar em futuras epidemias

A pandemia de COVID-19 mostrou como uma doença infecciosa pode rapidamente ultrapassar fronteiras e pressionar sistemas de saúde.

Uma das principais lições deixadas pela crise foi a importância de possuir infraestrutura científica, profissionais capacitados e capacidade de resposta dentro do próprio país.

O Orion foi planejado dentro dessa lógica.

A infraestrutura poderá apoiar pesquisas relacionadas a novos patógenos, doenças emergentes, desenvolvimento de métodos diagnósticos, vacinas e potenciais tratamentos.

Isso não significa que o laboratório tenha sido criado especificamente para uma nova pandemia.

Significa que o país busca estar mais preparado caso uma futura emergência sanitária exija pesquisas com agentes que demandem máxima contenção.

A segurança começa antes mesmo de o laboratório funcionar

Um dos aspectos menos conhecidos do projeto é que a preparação das equipes começou antes da inauguração do Orion.

O CNPEM criou um laboratório de treinamento, chamado mock-up, que reproduz fielmente características das instalações de máxima contenção.

Nesse ambiente de simulação, profissionais podem praticar protocolos de segurança sem manipular patógenos e, portanto, sem risco de infecção.

O programa inclui atividades teóricas e práticas e busca formar profissionais brasileiros especializados em ambientes NB3 e NB4.

Esse treinamento é importante porque, em uma instalação de máxima contenção, a tecnologia é apenas uma parte da segurança.

Pessoas treinadas e protocolos rigorosos são outra parte essencial da barreira.

O Orion já está funcionando?

Não.

O Orion ainda está em construção no campus do CNPEM, em Campinas.

As obras estruturais começaram com a execução das fundações, e o projeto continua avançando em suas etapas de planejamento, execução e preparação científica.

Em 2026, o CNPEM continua realizando ações de capacitação e também avançando em etapas relacionadas ao projeto. Em julho, por exemplo, a instituição divulgou procedimento de qualificação prévia de fornecedores para o complexo de laboratórios NB2, NB3 e NB4.

Portanto, é mais correto falar em futuro laboratório Orion ou projeto Orion, e não em um laboratório NB4 brasileiro já em operação.

Existe risco em construir um laboratório de máxima contenção?

Qualquer instalação destinada ao estudo de agentes biológicos de alto risco precisa considerar a possibilidade de acidentes, falhas técnicas, erro humano e outras situações inesperadas.

É justamente por isso que instalações NB4 são construídas com múltiplas camadas de contenção e sistemas redundantes.

No caso do Orion, as medidas previstas incluem controle de acesso, pressão negativa, tratamento do ar, descontaminação, equipamentos de proteção, treinamento especializado e monitoramento dos sistemas.

A existência dessas medidas não significa que o risco seja matematicamente zero.

Significa que o projeto é desenvolvido para reduzir o risco a níveis compatíveis com uma instalação de máxima contenção.

Essa distinção é importante.

Um laboratório NB4 não existe porque os agentes estudados são seguros.

Ele existe justamente porque não são.

O que o Orion pode representar para o Brasil?

Se concluído conforme planejado, o Orion poderá colocar o Brasil em uma posição científica muito diferente diante de agentes infecciosos de alto risco.

O país passará a contar com uma infraestrutura própria de máxima contenção para pesquisas avançadas, formação de especialistas e desenvolvimento de ferramentas para vigilância e enfrentamento de doenças.

Além da saúde pública, o projeto poderá beneficiar áreas como ciência, tecnologia, meio ambiente e defesa, segundo o CNPEM.

E existe um aspecto ainda mais importante.

O verdadeiro valor de um laboratório como o Orion não está apenas na capacidade de estudar os perigos conhecidos.

Está também na possibilidade de investigar rapidamente aquilo que ainda não conhecemos.

Novos vírus surgem, doenças mudam, agentes infecciosos atravessam fronteiras e os riscos biológicos podem se transformar.

Ter infraestrutura para investigar esses fenômenos pode significar ganhar tempo justamente quando o tempo é mais valioso.

O Orion não foi projetado para ser um laboratório comum.

Sua existência responde a uma realidade simples, mas preocupante: alguns dos agentes biológicos mais perigosos do planeta não podem ser estudados com segurança em instalações convencionais.

Por isso, o projeto reúne uma combinação incomum de máxima contenção biológica, treinamento especializado e tecnologias avançadas de pesquisa, incluindo a conexão inédita com o Sirius.

Os perigos que poderão ser estudados vão de vírus capazes de provocar febres hemorrágicas a agentes infecciosos emergentes que exigem estruturas de contenção extremamente rigorosas.

E talvez essa seja a característica mais interessante do Orion.

Por fora, ele será apenas um complexo científico.

Por dentro, deverá funcionar como uma sequência de barreiras projetadas para impedir que aquilo que precisa ser estudado permaneça exatamente onde deve estar.

Dentro do laboratório.

Perguntas e respostas rapidas

O que é o Orion?

O Orion é um complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos, em construção no campus do CNPEM, em Campinas, São Paulo. O projeto inclui instalações de biossegurança máxima NB4, além de ambientes NB2 e NB3.

O que significa NB4?

NB4 significa Nível de Biossegurança 4, o mais alto nível de contenção biológica. É destinado ao trabalho com agentes extremamente perigosos, capazes de provocar doenças graves e, em muitos casos, sem vacinas ou tratamentos disponíveis.

Quais doenças poderão ser estudadas no Orion?

O projeto poderá permitir pesquisas com agentes de alto risco, incluindo vírus relacionados às febres hemorrágicas Sabiá, Junín, Guanarito e Machupo, além de outros patógenos relevantes para a saúde pública.

O Orion já está funcionando?

Não. Em agosto de 2026, o Orion continua sendo um projeto em construção no campus do CNPEM, em Campinas.

Por que o Orion será conectado ao Sirius?

A conexão permitirá combinar a máxima contenção biológica com técnicas avançadas de análise baseadas em luz síncrotron. Segundo o CNPEM, será a primeira infraestrutura NB4 do mundo conectada a uma fonte de luz síncrotron.

Como um laboratório NB4 impede a propagação de agentes perigosos?

Instalações NB4 utilizam várias camadas de segurança, incluindo controle de acesso, pressão negativa, tratamento e filtragem do ar, descontaminação de materiais e equipamentos de proteção especializados.

O Orion poderá ajudar em futuras pandemias?

O projeto foi concebido para ampliar a capacidade brasileira de pesquisa, vigilância e desenvolvimento de diagnósticos, vacinas e tratamentos para doenças causadas por patógenos de alto risco. Essa infraestrutura poderá contribuir para a preparação diante de futuras emergências sanitárias.

Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de: Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério da Saúde, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Instituto Evandro Chagas.

domingo, 30 de novembro de 2025

domingo, novembro 30, 2025

Texas aprova lei que exige rótulos de alerta em salgadinhos e doces industrializados — entenda o que muda

A partir de 2027, alimentos como M&Ms, Doritos e Mountain Dew poderão vir com a frase “não recomendado para consumo humano” no Texas, se contiverem aditivos e corantes proibidos em outros países. A medida reacende o debate global sobre saúde, controle dos aditivos e transparência alimentar.

O que é a nova lei do Texas (Senate Bill 25)

Em junho de 2025, o estado do Texas aprovou o Senate Bill 25, que exige que fabricantes de alimentos adicionem um selo de alerta em embalagens de produtos que contenham quaisquer dos 44 aditivos, corantes artificiais ou substâncias químicas consideradas “controvérsias” — muitos deles proibidos ou restritos em países como Canadá, União Europeia, Austrália e Reino Unido.

A mensagem exigida pelo texto da lei deve informar que o produto contém um “ingrediente não recomendado para consumo humano por autoridades de saúde internacionais competentes”. O rótulo deve ter visibilidade destacada na embalagem.

A exigência valerá a partir de 1º de janeiro de 2027 — ou seja, para novas embalagens produzidas ou modificadas após essa data. Produtos com embalagens atuais não precisam alterar o rótulo imediatamente.

Quais tipos de alimentos poderão receber o alerta

Entre os produtos que poderão ser atingidos estão:
  • Snacks e salgadinhos (ex: Doritos, salgadinhos similares)
  • Doces e guloseimas (ex: M&M’s, balas com corantes artificiais, produtos de confeitaria)
  • Refrigerantes e bebidas adoçadas (ex: Mountain Dew, quando contiverem aditivos ou corantes listados)

Outros produtos processados — biscoitos, cereais ou comidas embaladas que usem farinha branqueada, corantes proibidos ou conservantes da lista.

Importante: a obrigatoriedade do selo depende da presença dos aditivos da lista — nem todo Doritos ou M&M será atingido automaticamente; depende da formulação.

O que mudou no Brasil e no mundo — por que essa lei é vista como polêmica
  • O Texas segue exemplo de países europeus, Canadá e Austrália, onde muitos desses aditivos já são proibidos ou regulados fortemente.
  • A aprovação da lei coincide com uma tendência internacional de maior controle de alimentos ultraprocessados e exigência de transparência sobre ingredientes.
  • A pressão da lei fez gigantes da indústria alimentícia nos EUA e no exterior anunciarem revisão de fórmulas. Por exemplo, empresas como a dona de M&M já indicaram intenção de remover ou substituir alguns corantes para evitar restrições.

Principais críticas e dúvidas sobre a lei

Especialistas e representantes da indústria apontam algumas controvérsias:
  • A lista de 44 ingredientes foi considerada por alguns como “ampla demais”, reunindo aditivos permitidos atualmente nos EUA — mas restritos em outros países. Isso gera debate sobre base científica real por trás da classificação.
  • Alguns advogam que a advertência no rótulo pode confundir o consumidor, uma vez que nem todos os ingredientes têm consenso científico de prejuízo, e podem causar impacto nos preços, logística e formulações de produtos.
  • A lei não proíbe os produtos — apenas exige o rótulo. Ou seja, a venda continua permitida.

O que muda — e o que o consumidor deve saber
  • A partir de 2027, se a lei for aplicada, ao comprar salgadinhos, doces ou refrigerantes em lojas no Texas, o consumidor verá um aviso claro sobre aditivos.
  • Isso representa uma mudança na forma como produtos industrializados são regulados — com mais transparência.
  • Marcas podem optar por reformular receitas para evitar o selo, o que pode levar a mudanças no mercado global de snacks e guloseimas.

No Brasil e América Latina, a lei serve como alerta para debates sobre regulamentação e controle de ingredientes — embora não haja proposta idêntica por aqui, as discussões podem ganhar força.
 
Dados e contexto GEO / SEO
  • Lei: Senate Bill 25 (Texas, 2025) — alerta para 44 aditivos / corantes.
  • Produtos potencialmente afetados: Doritos, M&M’s, Mountain Dew, snacks e alimentos ultraprocessados.
  • Prazo para adequação das embalagens: a partir de 1º de janeiro de 2027.

Com a aprovação da lei no Texas, o mundo talvez testemunhe uma mudança significativa na forma como vemos alimentos industrializados — não como simples guloseimas, mas como produtos sujeitos a alerta de saúde. A transparência imposta pela nova regulamentação força consumidores e empresas a repensar ingredientes, formulações e escolhas de consumo.

Se a tendência se espalhar, pode ser o primeiro passo para uma revolução alimentar global — onde consciência, saúde e regulamentação caminham juntas.

Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de South China Morning Post, STAT, FoodProcessing.com, Dallas News, Fox News e KWBU.

sábado, 7 de junho de 2025

sábado, junho 07, 2025

Sangue artificial para todos os tipos sanguíneos: Japão pode revolucionar transfusões até 2030

Ensaios clínicos com sangue artificial compatível com qualquer tipo sanguíneo estão em andamento no Japão, com potencial para revolucionar a medicina transfusional global.

O Estudo

Liderados pelo laboratório do Professor Hiromi Sakai, da Universidade Médica de Nara, os testes avaliam um sangue artificial universal que pode:

- Ser usado em qualquer paciente, independente do tipo sanguíneo (A, B, AB ou O);
- Ser armazenado por até 2 anos (contra 3-4 semanas do sangue tradicional);
- Reduzir mortes por falta de doações em emergências, cirurgias e partos.

As primeiras doses foram administradas em 16 voluntários saudáveis em março, sem efeitos colaterais graves relatados até agora.

Por Que Isso Importa?

- Escassez global: A OMS estima que 40% das doações vêm de países ricos (apenas 16% da população mundial), deixando nações pobres em crise.

- Problemas atuais: infecções, incompatibilidade sanguínea e validade curta limitam os bancos de sangue.

- Solução proposta: O sangue artificial é feito com hemoglobina encapsulada em lipídios, extraída de doações já expiradas (acima de 3 semanas), eliminando riscos de vírus e rejeição.

Vantagens

✔ Universal: Sem marcadores de tipo sanguíneo.
✔ Estável: Dura anos em estoque.
✔ Seguro: Sem risco de transmissão de doenças.
✔ Eficiente: Transporta oxigênio como hemácias naturais.

Desafios

- Dependência de doadores: Ainda usa hemoglobina humana como base (limita escala).
- Efeitos colaterais: Testes de 2022 causaram febre e erupções leves em alguns voluntários.
 
O Que Especialistas Dizem

Ash Toye, bioquímico da Universidade de Bristol (Reino Unido), destaca:

"Esse sangue artificial pode penetrar em tecidos danificados (como em AVCs) melhor que o sangue normal. Mas ainda precisa provar sua segurança e eficácia em larga escala."

Próximos Passos

A universidade japonesa planeja:

1. Estudos de eficácia (2024-2026).
2. Aprovação clínica até 2030.
3. Uso em emergências e zonas de conflito.
 
Se bem-sucedido, o método pode salvar milhões de vidas anualmente, especialmente em países com poucos doadores.

Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de News Week

sexta-feira, 9 de maio de 2025

sexta-feira, maio 09, 2025

Bill Gates promete doar 99% de sua fortuna nos próximos 20 anos para salvar milhões de vidas

Em um anúncio marcante, Bill Gates, cofundador da Microsoft e um dos homens mais ricos do mundo, revelou que doará 99% de sua fortuna pessoal — estimada em US$ 108 bilhões (R$ 615 bilhões) — nos próximos 20 anos por meio da Fundação Gates, com o objetivo de erradicar doenças, reduzir a pobreza global e salvar milhões de vidas. A declaração foi feita durante as comemorações do 25º aniversário da fundação, criada em 2000 por ele e sua ex-esposa, Melinda French Gates.

O Plano de Doação e o Fim da Fundação Gates em 2045

Gates afirmou que a Fundação Gates será encerrada em 31 de dezembro de 2045, após gastar cerca de US$ 200 bilhões (R$ 1,1 trilhão) em projetos humanitários. Originalmente, a organização deveria existir por décadas após sua morte, mas o bilionário decidiu acelerar as doações para enfrentar problemas urgentes, como:

- Erradicação de doenças (poliomielite, malária, sarampo e HIV)

- Redução da mortalidade infantil e materna

- Combate à pobreza extrema

- Apoio a programas educacionais em países em desenvolvimento.

Ele destacou:

"As pessoas dirão muitas coisas sobre mim quando eu morrer, mas estou determinado que ‘ele morreu rico’ não será uma delas.".

Críticas a Elon Musk e aos Cortes na Ajuda Humanitária

Em meio ao anúncio, Gates não poupou críticas a Elon Musk, o homem mais rico do mundo, acusando-o de "matar as crianças mais pobres do mundo" devido aos cortes nos programas de ajuda internacional dos EUA. Musk, que comanda o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) sob o governo Trump, reduziu 80% do orçamento da USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), afetando hospitais e campanhas de vacinação em países vulneráveis.

Gates afirmou:

"A imagem do homem mais rico do mundo matando as crianças mais pobres do mundo não é bonita.".

Musk respondeu nas redes sociais, chamando Gates de "mentiroso", mas sem detalhar suas justificativas.

Impacto da Fundação Gates até Agora

Desde sua criação, a Fundação Gates já doou US$ 100 bilhões em iniciativas como:

- GAVI (Aliança para Vacinas)

- Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária

- Erradicação da poliomielite (que está perto de ser eliminada).

O orçamento anual da fundação deve chegar a US$ 9 bilhões em 2026, com previsão de US$ 10 bilhões/ano posteriormente.

Reações e Desafios

Apesar do impacto positivo, a Fundação Gates enfrenta críticas por seu poder excessivo na saúde global e falta de transparência. Além disso, Gates alertou que ONGs não substituem governos e que os cortes na ajuda internacional podem reverter décadas de progresso, levando a milhões de mortes evitáveis.

Um Legado que Vai Além do Dinheiro

Bill Gates está determinado a não deixar uma fortuna, mas sim um mundo com menos doenças e desigualdade. Seu compromisso inspira outros bilionários, como Warren Buffett, a aumentarem suas doações. Resta saber se os governos seguirão o exemplo ou se o trabalho filantrópico terá de suprir lacunas cada vez maiores.


Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de Gates Foundation

sábado, 7 de março de 2020

sábado, março 07, 2020

A história de Zora, robô que ajuda a espantar a solidão de idosos

É Zora. Assim que se chama. Pode não parecer grande coisa. Tem a aparência de ser mais um brinquedo bonito de última geração do que uma maravilha futurista, mas na realidade esse robô é a base de uma experiência na França para revolucionar o cuidado aos idosos. E está funcionando.

Quando Zora chegou a Jouarre, um lar para idosos a uma hora de Paris, algo estranho começou a acontecer: muitos pacientes desenvolveram um vínculo emocional com o robô e o tratavam como um bebê. Abraçavam, ninavam e beijavam o aparelho robótico. Zora, que custa até 16.000 euros (68.000 reais), dava algo muito valioso a um idoso: companhia, em um lugar em que a vida pode ser solitária. Os pacientes do hospital de idosos sofrem de demência e outras doenças que precisam de cuidados 24 horas por dia. As famílias, entretanto, não fazem muitas visitas aos seus avós e os profissionais de cuidados psicológicos são sempre escassos.

O enfermeiro que supervisiona Zora controla o robô de seu computador portátil. Frequentemente se esconde para que os pacientes não saibam que é ele que o dirige. O aparelho pode manter uma conversa com os internos porque o enfermeiro tecla palavras no computador para que ele as pronuncie. Alguns pacientes se referem a Zora como “ela” e outros como “ele”.

VÍDEO DA ZORA INTERAGINDO 

A robótica ainda tem um longo caminho a percorrer antes de existir a possibilidade realista de se ter um enfermeiro humanoide. E Zora não é uma exceção. Não administra medicamentos, não tira a pressão, não troca os lençóis. Em Jouarre, alguns funcionários criticam o robô e acham que é uma ferramenta supérflua que só “mantêm os pacientes entretidos”, de acordo com uma das enfermeiras, Sophie Riffault.

Sua colega, Nathalie Racine, afirma que não deixaria que um robô alimentasse os pacientes mesmo que pudesse fazê-lo. Os seres humanos não deveriam delegar às máquinas situações tão íntimas. “Nada jamais poderá substituir o toque humano, a calidez pessoal que nossos pacientes precisam”, diz Nathalie.

A experiência no lar de Jouarre, entretanto, nos permite ter uma ideia do futuro quando nossa dependência dos robôs será total para cuidar de nossos entes queridos à medida que envelhecerem.

A ZoraBots, a empresa belga que fabrica o robô de Jouarre, afirma que vendeu mais de 1.000 unidades a hospitais em todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, Ásia e Oriente Médio. Faz parte da crescente ênfase na robótica focada no cuidado médico. Um cachorro robô fabricado pela Sony já é comercializado como companhia para idosos. “Precisamos lutar contra a solidão dos idosos”, diz Tommy Deblieck, executivo-chefe da ZoraBots.

Dar aos robôs mais responsabilidade para cuidar das pessoas no ocaso de suas vidas pode parecer uma possibilidade remota, mas muitos já a consideram inevitável. A população de idosos aumenta sem parar. Em 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos será de 2,1 bilhões, de acordo com as Nações Unidas.

E esses números indicam uma nova crise. Simplesmente não existirão pessoas para cobrir os postos de trabalho que a crescente assistência de saúde necessita. Seus defensores afirmam que deve ser criada uma nova tecnologia para salvar a situação.

O problema é especialmente grave na França, onde os hospitais enfrentam nos últimos tempos uma crise com greves dos profissionais de saúde que protestam pelos cortes orçamentários e a escassez de funcionários. O aumento dos suicídios de enfermeiras e médicos está nas manchetes, e o ministro da Saúde francês reconhece que o sistema hospitalar está “perdendo força”.

O desafio consiste em criar máquinas capazes de realizar trabalhos mais complexos. Não é a mesma coisa levantar o ânimo de um paciente com uma canção e dar atenção médica. Por enquanto, o hospital francês, que adquiriu o robô com a ajuda de uma doação de caridade, só coloca Zora em funcionamento algumas vezes por mês.

Na Austrália, um hospital que tem um robô do mesmo modelo de Zorra estudou seu efeito nos pacientes e funcionários. Os pesquisadores descobriram que melhorava o estado de ânimo de alguns pacientes e os fazia participar mais das atividades, mas precisava de um importante suporte técnico. A experiência dos funcionários do hospital francês foi parecida.

Os funcionários do lar de Jouarre se surpreendem com o apego que os pacientes sentem pelo robô. Mickaël Feret, um enfermeiro, diz que alguns deles sentem ciúmes de outros porque passam um tempo com Zora. Alguns pacientes chegam até a contar ao robô intimidades sobre sua saúde que não falariam aos médicos de carne e osso. Por exemplo, uma idosa que tinha marcas roxas no braço se negava a contar aos funcionários do hospital o que havia acontecido, mas disse a Zora que havia caído da cama enquanto dormia.

“Ela traz um pouco de alegria a nossas vidas aqui”, disse Marlène Simon, de 70 anos, que precisou fazer uma traqueostomia e está há mais de um ano no hospital. “Gostamos dela, e sinto saudades quando não a vejo. A verdade é que penso nela frequentemente”.

Quando estivemos em Jouarre para ver como trabalha esse enfermeiro robô o dia para Zora foi longo. O humanoide visitou os pacientes separadamente de manhã e depois foi utilizado para ajudar nos exercícios de grupo e em outros afazeres ao longo do dia. Exaustivo.

No final do dia, o colocaram na pequena mala em que passa a noite, guardada em um armário no escritório da secretaria.

Havia ficado sem bateria.

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