O projeto começou a ser erguido em 1987 e foi concluído em 1991, com uma estrutura de vidro e aço contendo diferentes biomas como floresta tropical, savana, deserto, pântano e um oceano artificial, além de áreas agrícolas e moradias para pesquisadores.
Primeira missão: conhecimento e desafios
Em 26 de setembro de 1991, oito voluntários conhecidos como “biosferianos” entraram na Biosfera 2 com um objetivo ousado: viver ali por dois anos sem intervenção externa, cultivando alimentos, reciclando água e produzindo oxigênio por meio de plantas.
Nos primeiros meses, a equipe plantou várias colheitas e tentou manter a produção de alimentos e a qualidade do ar, mas problemas começaram a surgir conforme o tempo passava.
Os problemas técnicos que surgiram
Ar e oxigênio
O maior desafio foi manter os níveis de oxigênio. Inicialmente em cerca de 20,9% do ar, o teor de oxigênio caiu para aproximadamente 14,2% ao longo de 16 meses, o equivalente a condições acima de 4.500 metros de altitude.
Essa queda foi causada por fatores inesperados:
- microrganismos do solo consumiam oxigênio mais rápido que o previsto;
- o concreto da construção absorveu CO₂ e afetou ainda mais os gases;
- plantas não produziam oxigênio suficiente porque a luz era insuficiente para a fotossíntese ideal.
A produção agrícola também foi um desafio. Apesar dos esforços, a Biosfera 2 conseguiu produzir cerca de 80% das necessidades nutricionais da equipe ao longo do período de encerramento, com alimentos como batata-doce, beterraba, arroz e frutas tropicais sendo cultivados dentro do complexo.
Mesmo assim, os membros da equipe perderam entre 10% e 20% de seu peso corporal, devido à dieta restrita e à menor disponibilidade calórica.
Tensão humana e outros efeitos
Os desafios não foram apenas ambientais. Os “biosferianos” enfrentaram tensão psicológica e conflitos internos, agravados pelo estresse constante, isolamento e limitações do ambiente controlado.
Essas divisões foram parte de um quadro que incluiu dificuldades de convivência e debates sobre como lidar com as adversidades do projeto.
Segunda missão e legado científico
Após a primeira missão, em março de 1994 foi iniciada uma segunda missão com sete participantes, com melhorias no sistema e mais espécies integradas ao projeto.
Essa segunda tentativa chegou a manter autossuficiência alimentar e não precisou suplementar oxigênio externo antes de ser encerrada por razões administrativas e disputas de gestão.
Apesar de não alcançar seus objetivos originais, a Biosfera 2 se tornou fonte de dados valiosos sobre ecossistemas fechados, interação atmosférica e sustentabilidade ecológica.
Hoje, a estrutura ainda existe e é usada como centro de pesquisa científica e educação pela Universidade do Arizona, ajudando a estudar mudanças climáticas, dinâmica de biomas e sistemas terrestres.
A Biosfera 2 também serve como ferramenta pedagógica para estudantes e pesquisadores curiosos sobre o funcionamento da Terra e a complexidade dos sistemas naturais.
Respostas rápidas sobre a Biosfera 2
O que foi a Biosfera 2?
A Biosfera 2 foi um experimento científico no Arizona que tentou criar um ecossistema totalmente fechado e autossustentável para apoiar vida humana sem ajuda externa.
Por que a Biosfera 2 enfrentou problemas?
Problemas como queda de oxigênio, desequilíbrios ecológicos e produção insuficiente de alimentos mostraram que manter um sistema fechado é mais complexo que previsto.
Quantas pessoas viveram dentro da Biosfera 2?
Oito pessoas participaram da primeira missão isolada, vivendo ali por quase dois anos.
O que aconteceu com os níveis de oxigênio?
O oxigênio interno caiu de cerca de 20,9% para cerca de 14,2%, exigindo injeção de oxigênio externo para manter a saúde da equipe.
A Biosfera 2 ainda existe?
Sim. Ela continua em funcionamento como centro de pesquisa sob gestão da Universidade do Arizona.
A experiência foi um fracasso total?
Não. Apesar dos desafios, o experimento gerou dados importantes sobre ecologia, sistemas fechados e sustentabilidade.
Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de NASA, Encyclopedia Britannica, University of Arizona, Scientific American, PubMed e Wikipedia.














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