Geleira do Apocalipse: o que os cientistas descobriram sobre a Thwaites e por que ela preocupa o mundo
A geleira Thwaites, conhecida como Geleira do Apocalipse, continua recuando na Antártida. Novos estudos revelam o que existe sob o gelo e o que pode acontecer com os oceanos.
Geleira do Apocalipse: o gigante de gelo que pode mudar os oceanos
Em uma região remota da Antártida Ocidental existe uma gigantesca massa de gelo que se tornou uma das maiores preocupações da ciência climática.
Ela se chama Geleira Thwaites.
Com aproximadamente o tamanho da Flórida ou da Grã-Bretanha, a Thwaites está entre as geleiras que mais contribuem para a perda de gelo da Antártida e é considerada uma das estruturas mais vulneráveis da região.
Por causa de sua importância, ela recebeu um apelido que parece ter saÃdo de um filme de catástrofe:
Geleira do Apocalipse.
Também é chamada de Geleira do JuÃzo Final ou, em inglês, Doomsday Glacier.
Mas existe uma diferença importante entre o apelido e o que a ciência realmente diz.
A Thwaites não está prestes a desaparecer de uma hora para outra.
Os resultados mais recentes da colaboração internacional que estudou a geleira entre 2018 e 2025 indicam que um colapso completo nas próximas décadas é considerado improvável. Ao mesmo tempo, os pesquisadores concluÃram que a geleira deve continuar recuando e perdendo gelo durante este século e o próximo, e que uma desestabilização mais ampla da Antártida Ocidental não pode ser descartada.
E pesquisas publicadas em 2026 acrescentaram novas peças a esse enorme quebra-cabeça.
Por que a Thwaites é chamada de Geleira do Apocalipse?
O apelido está relacionado principalmente ao potencial impacto que a perda de gelo da Thwaites pode ter sobre o nÃvel dos oceanos.
Se toda a geleira desaparecesse, a quantidade de gelo armazenada nela seria suficiente para provocar uma elevação média global do nÃvel do mar de mais de meio metro.
O número exato varia conforme o estudo e a forma de cálculo, mas a ordem de grandeza é de aproximadamente 60 centÃmetros.
Isso, porém, não significa que os oceanos subiriam 60 centÃmetros imediatamente caso a Thwaites sofresse um colapso.
Estamos falando de um processo que aconteceria ao longo de décadas ou séculos.
O problema é que a Thwaites também funciona como uma espécie de barreira natural para o gelo localizado atrás dela.
Se ela perder grande parte de sua capacidade de conter o gelo continental, a dinâmica da Antártida Ocidental poderá mudar ainda mais.
É por isso que os cientistas não estão interessados apenas no que acontece com a Thwaites.
Eles querem entender o que pode acontecer depois dela.
A geleira está realmente derretendo?
Sim.
A Thwaites vem perdendo massa e recuando rapidamente.
Segundo a International Thwaites Glacier Collaboration, a velocidade de recuo da geleira aumentou consideravelmente nas últimas quatro décadas. A organização afirma que a perda de gelo deve continuar e pode acelerar ao longo dos próximos séculos.
Veja a Geleira Thwaites em imagens
O vÃdeo mostra a dimensão da geleira e as mudanças que vêm ocorrendo na região da Antártida.
E existe um detalhe especialmente importante:
quando a geleira recua, a própria geometria do gelo pode favorecer ainda mais o derretimento.
Um estudo publicado na Geophysical Research Letters mostrou que o recuo e o afinamento da Thwaites alteraram a área de contato com a água e as correntes sob o gelo. Os pesquisadores estimaram que esse mecanismo geométrico aumentou o derretimento em mais de 30% entre 2011 e 2022, mesmo sem uma mudança nas condições oceânicas externas.
É uma espécie de ciclo preocupante:
o gelo recua, a configuração muda, o oceano consegue atuar sobre uma área maior e o derretimento pode aumentar.
O que existe escondido debaixo da Geleira do Apocalipse?
Essa talvez seja uma das descobertas mais interessantes de 2026.
Em abril, pesquisadores publicaram na revista Communications Earth & Environment um estudo baseado em 344 quilômetros de levantamentos sÃsmicos realizados na região da Thwaites.
O objetivo era descobrir como é o terreno localizado sob a gigantesca massa de gelo.
E o que encontraram foi surpreendente.
A base da geleira possui uma estrutura extremamente complexa.
Os pesquisadores identificaram cristas rochosas elevadas, bacias preenchidas por sedimentos consolidados e uma ampla presença de água subterrânea.
Em uma das regiões foi identificada até uma espécie de lago ativo composto por dezenas de metros de sedimentos altamente porosos e saturados de água.
Essas estruturas não são apenas uma curiosidade geológica.
Elas podem influenciar diretamente a maneira como o gelo se movimenta.
Algumas das cristas rochosas funcionam como obstáculos capazes de oferecer resistência ao fluxo do gelo, enquanto a água e os sedimentos podem facilitar o deslizamento em determinadas áreas.
Os próprios pesquisadores concluÃram que os modelos atuais ainda não representam toda a complexidade do terreno sob a Thwaites.
Uma descoberta que pode mudar as previsões
Isso é importante porque prever o futuro da Thwaites não é simplesmente calcular quanto gelo existe hoje.
Os cientistas precisam entender como a geleira se movimenta sobre o terreno escondido sob quilômetros de gelo.
Uma pequena diferença na topografia subterrânea pode alterar a velocidade do fluxo.
E a presença de água também pode mudar a relação entre o gelo e o leito rochoso.
Por isso, descobrir que existem áreas de sedimentos saturados de água e estruturas rochosas mais complexas do que se imaginava pode ajudar a melhorar os modelos utilizados para prever o futuro da geleira.
A descoberta mais surpreendente de 2026
Em julho de 2026, outro estudo trouxe uma conclusão que parece contraditória à primeira vista.
Pesquisadores colocaram a Thwaites em uma situação hipotética extrema:
e se o oceano parasse completamente de derreter o gelo por baixo das plataformas?
Para testar isso, os cientistas utilizaram três modelos avançados de dinâmica das camadas de gelo.
O resultado foi diferente do esperado.
Enquanto a geleira Pine Island, localizada na mesma região, começou a recuperar massa e avançar novamente, a Thwaites continuou perdendo gelo durante os 150 anos da simulação.
Isso não significa que a Thwaites necessariamente perderá gelo durante exatamente 150 anos no mundo real.
Os próprios pesquisadores alertam que o experimento é uma situação hipotética extrema e não uma previsão do futuro.
Mas o resultado revela algo importante.
Parte da perda de gelo atual da Thwaites parece ser uma resposta a mudanças ocorridas no passado, que colocaram a geleira em uma configuração diferente daquela que existia antes da década de 1940.
Mesmo retirando completamente o derretimento oceânico da simulação, a geleira não voltou à configuração anterior durante os 150 anos analisados.
A Thwaites já passou por um ponto de não retorno?
Essa é uma das perguntas mais interessantes.
Mas a resposta precisa ser cuidadosa:
os cientistas ainda não afirmam que a Thwaites atingiu um ponto de não retorno para um colapso total.
O estudo de 2026 mostra que a configuração atual da geleira não pode ser simplesmente revertida apenas eliminando o derretimento oceânico.
Isso é diferente de afirmar que a geleira inevitavelmente entrará em um colapso irreversÃvel.
Os pesquisadores destacam que seus experimentos não demonstram uma futura retirada irreversÃvel e que outras condições oceânicas e processos fÃsicos ainda precisam ser considerados.
Essa diferença é fundamental.
E é justamente o tipo de informação que muitas manchetes sensacionalistas acabam deixando de lado.
Cientistas estão literalmente perfurando a geleira
Em 2026, uma equipe internacional tentou instalar instrumentos sob o tronco principal da Thwaites para obter medições contÃnuas das águas abaixo do gelo.
A missão conseguiu obter dados preliminares que indicaram águas turbulentas e relativamente quentes sob a geleira, mas a etapa final da operação fracassou quando os instrumentos ficaram presos no gelo.
Mesmo assim, os dados obtidos foram considerados importantes porque estão entre as primeiras medições realizadas diretamente sob a região principal de rápido movimento da Thwaites.
O episódio mostra o tamanho do desafio.
Para estudar a geleira, pesquisadores precisam trabalhar em um dos ambientes mais extremos do planeta, perfurando centenas de metros de gelo e tentando instalar equipamentos que precisam funcionar em condições extremamente difÃceis.
O que aconteceria se a Thwaites desaparecesse?
Se toda a Thwaites derretesse, a elevação média global do nÃvel do mar seria de aproximadamente 60 centÃmetros.
Isso seria suficiente para aumentar significativamente o risco de inundações costeiras em diversas partes do mundo.
Mas existe um ponto ainda mais importante.
A perda da Thwaites poderia alterar a estabilidade de outras áreas da Antártida Ocidental.
Por isso, o verdadeiro risco não está apenas nos aproximadamente 60 centÃmetros associados ao gelo da própria geleira.
O temor cientÃfico é que a perda de estabilidade de Thwaites possa contribuir para uma perda muito maior de gelo na região ao longo de perÃodos muito longos.
A camada de gelo da Antártida Ocidental contém gelo suficiente para elevar o nÃvel global dos mares em vários metros caso fosse completamente perdido.
Isso não é uma previsão para as próximas décadas.
É uma questão de estabilidade do sistema ao longo de escalas de tempo muito maiores.
O mundo inteiro seria afetado
A Thwaites está localizada a milhares de quilômetros de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Miami, Nova York ou Londres.
Mas o oceano não respeita fronteiras.
Uma elevação global do nÃvel do mar aumenta o risco de erosão, inundações costeiras e avanço da água salgada em áreas baixas.
E existe outro efeito importante:
uma elevação relativamente pequena do nÃvel médio do mar pode tornar eventos extremos muito mais perigosos.
Uma tempestade que antes causava apenas alagamentos temporários pode alcançar áreas mais para dentro quando parte de uma costa já começa de um nÃvel mais elevado.
Por isso, a preocupação com Thwaites não significa que uma cidade especÃfica será engolida de repente.
Significa que uma mudança lenta no nÃvel dos oceanos pode aumentar progressivamente os riscos para populações costeiras.
A Geleira do Apocalipse vai desaparecer?
Não há evidência cientÃfica de que a Thwaites esteja prestes a desaparecer completamente.
Essa é uma das principais correções que precisam ser feitas quando o assunto é tratado de maneira sensacionalista.
Os estudos mais recentes indicam que o recuo continuará e que a perda de gelo pode permanecer significativa durante muito tempo.
A colaboração internacional que estudou a geleira entre 2018 e 2025 considera improvável um colapso completo nas próximas décadas, embora ressalte que a Thwaites continuará recuando e que uma desestabilização mais ampla da Antártida Ocidental não pode ser descartada.
Portanto, o problema não é uma catástrofe marcada no calendário.
É algo muito mais complexo:
uma mudança lenta que pode continuar durante gerações e alterar gradualmente o nÃvel dos oceanos.
Perguntas e respostas rápidas
A Geleira do Apocalipse, também chamada de Geleira do JuÃzo Final, é o apelido dado à Geleira Thwaites, localizada na Antártida Ocidental. Ela é uma das maiores e mais instáveis geleiras do planeta.
Por que a Thwaites é tão perigosa?
Porque sua perda de gelo contribui para o aumento do nÃvel do mar e porque a geleira também ajuda a conter grandes volumes de gelo localizados no interior da Antártida Ocidental.
Quanto o nÃvel do mar subiria se a Thwaites derretesse completamente?
A perda de toda a geleira poderia elevar o nÃvel médio global do mar em aproximadamente 60 centÃmetros. O valor exato varia conforme as estimativas utilizadas.
A Geleira Thwaites vai desaparecer em breve?
Não. Os estudos mais recentes não indicam que um colapso completo ocorrerá nas próximas décadas. Porém, os pesquisadores esperam que a geleira continue recuando e perdendo gelo ao longo deste século e do próximo.
O que os cientistas descobriram em 2026?
Pesquisas recentes revelaram estruturas rochosas, bacias de sedimentos e água subterrânea sob a Thwaites. Outro estudo mostrou que, em uma simulação extrema sem derretimento provocado pelo oceano, a geleira ainda continuaria perdendo gelo durante 150 anos.
A Thwaites pode afetar o Brasil?
Sim, mas não significa que o Brasil seria subitamente inundado. Uma elevação global do nÃvel do mar pode aumentar os riscos de erosão e inundações em áreas costeiras brasileiras, especialmente em regiões baixas.
Por que a geleira recebeu o nome de "Doomsday Glacier"?
O apelido surgiu por causa de seu enorme tamanho, sua rápida perda de gelo e seu potencial de contribuir significativamente para a elevação do nÃvel dos oceanos. O nome é popular, mas não significa que os cientistas prevejam o fim do mundo.
A geleira que o mundo não pode ignorar
A Thwaites ganhou um nome assustador, mas a realidade por trás dele é ainda mais interessante do que o apelido.
Não existe uma contagem regressiva para o desaparecimento da geleira.
Não existe uma previsão cientÃfica de que o planeta ficará submerso em poucos anos.
O que existe é algo muito mais difÃcil de perceber:
uma gigantesca massa de gelo está mudando lentamente, e algumas dessas mudanças podem continuar mesmo se determinadas condições que provocaram o recuo no passado forem interrompidas.
Os pesquisadores agora sabem que há água, sedimentos e estruturas rochosas complexas escondidas sob quilômetros de gelo.
Sabem também que a Thwaites já entrou em uma configuração diferente daquela que possuÃa antes da década de 1940.
E quanto mais eles estudam a geleira, mais percebem que prever seu futuro exige compreender não apenas o gelo que vemos na superfÃcie, mas também o que acontece no mundo escondido abaixo dela.
Talvez seja por isso que a Thwaites seja uma das geleiras mais observadas do planeta.
Porque, na Antártida, uma mudança aparentemente distante pode começar como uma pequena alteração no gelo e terminar refletindo no lugar onde vivemos.
Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de: International Thwaites Glacier Collaboration (ITGC), Nature, Geophysical Research Letters, American Geophysical Union (AGU), British Antarctic Survey (BAS), National Science Foundation (NSF), University of Northumbria, King's College London e Folha de S.Paulo.
Geleira do Apocalipse: o gigante de gelo que pode mudar os oceanos
Em uma região remota da Antártida Ocidental existe uma gigantesca massa de gelo que se tornou uma das maiores preocupações da ciência climática.
Ela se chama Geleira Thwaites.
Com aproximadamente o tamanho da Flórida ou da Grã-Bretanha, a Thwaites está entre as geleiras que mais contribuem para a perda de gelo da Antártida e é considerada uma das estruturas mais vulneráveis da região.
Por causa de sua importância, ela recebeu um apelido que parece ter saÃdo de um filme de catástrofe:
Geleira do Apocalipse.
Também é chamada de Geleira do JuÃzo Final ou, em inglês, Doomsday Glacier.
Mas existe uma diferença importante entre o apelido e o que a ciência realmente diz.
A Thwaites não está prestes a desaparecer de uma hora para outra.
Os resultados mais recentes da colaboração internacional que estudou a geleira entre 2018 e 2025 indicam que um colapso completo nas próximas décadas é considerado improvável. Ao mesmo tempo, os pesquisadores concluÃram que a geleira deve continuar recuando e perdendo gelo durante este século e o próximo, e que uma desestabilização mais ampla da Antártida Ocidental não pode ser descartada.
E pesquisas publicadas em 2026 acrescentaram novas peças a esse enorme quebra-cabeça.
Por que a Thwaites é chamada de Geleira do Apocalipse?
O apelido está relacionado principalmente ao potencial impacto que a perda de gelo da Thwaites pode ter sobre o nÃvel dos oceanos.
Se toda a geleira desaparecesse, a quantidade de gelo armazenada nela seria suficiente para provocar uma elevação média global do nÃvel do mar de mais de meio metro.
O número exato varia conforme o estudo e a forma de cálculo, mas a ordem de grandeza é de aproximadamente 60 centÃmetros.
Isso, porém, não significa que os oceanos subiriam 60 centÃmetros imediatamente caso a Thwaites sofresse um colapso.
Estamos falando de um processo que aconteceria ao longo de décadas ou séculos.
O problema é que a Thwaites também funciona como uma espécie de barreira natural para o gelo localizado atrás dela.
Se ela perder grande parte de sua capacidade de conter o gelo continental, a dinâmica da Antártida Ocidental poderá mudar ainda mais.
É por isso que os cientistas não estão interessados apenas no que acontece com a Thwaites.
Eles querem entender o que pode acontecer depois dela.
A geleira está realmente derretendo?
Sim.
A Thwaites vem perdendo massa e recuando rapidamente.
Segundo a International Thwaites Glacier Collaboration, a velocidade de recuo da geleira aumentou consideravelmente nas últimas quatro décadas. A organização afirma que a perda de gelo deve continuar e pode acelerar ao longo dos próximos séculos.
Grande parte da preocupação está relacionada à interação entre o gelo e o oceano.
A parte inferior da geleira entra em contato com águas oceânicas relativamente quentes, que conseguem alcançar regiões abaixo das plataformas de gelo.
Esse processo provoca derretimento por baixo.
A parte inferior da geleira entra em contato com águas oceânicas relativamente quentes, que conseguem alcançar regiões abaixo das plataformas de gelo.
Esse processo provoca derretimento por baixo.
O vÃdeo mostra a dimensão da geleira e as mudanças que vêm ocorrendo na região da Antártida.
E existe um detalhe especialmente importante:
quando a geleira recua, a própria geometria do gelo pode favorecer ainda mais o derretimento.
Um estudo publicado na Geophysical Research Letters mostrou que o recuo e o afinamento da Thwaites alteraram a área de contato com a água e as correntes sob o gelo. Os pesquisadores estimaram que esse mecanismo geométrico aumentou o derretimento em mais de 30% entre 2011 e 2022, mesmo sem uma mudança nas condições oceânicas externas.
É uma espécie de ciclo preocupante:
o gelo recua, a configuração muda, o oceano consegue atuar sobre uma área maior e o derretimento pode aumentar.
O que existe escondido debaixo da Geleira do Apocalipse?
Essa talvez seja uma das descobertas mais interessantes de 2026.
Em abril, pesquisadores publicaram na revista Communications Earth & Environment um estudo baseado em 344 quilômetros de levantamentos sÃsmicos realizados na região da Thwaites.
O objetivo era descobrir como é o terreno localizado sob a gigantesca massa de gelo.
E o que encontraram foi surpreendente.
A base da geleira possui uma estrutura extremamente complexa.
Os pesquisadores identificaram cristas rochosas elevadas, bacias preenchidas por sedimentos consolidados e uma ampla presença de água subterrânea.
Em uma das regiões foi identificada até uma espécie de lago ativo composto por dezenas de metros de sedimentos altamente porosos e saturados de água.
Essas estruturas não são apenas uma curiosidade geológica.
Elas podem influenciar diretamente a maneira como o gelo se movimenta.
Algumas das cristas rochosas funcionam como obstáculos capazes de oferecer resistência ao fluxo do gelo, enquanto a água e os sedimentos podem facilitar o deslizamento em determinadas áreas.
Os próprios pesquisadores concluÃram que os modelos atuais ainda não representam toda a complexidade do terreno sob a Thwaites.
Uma descoberta que pode mudar as previsões
Isso é importante porque prever o futuro da Thwaites não é simplesmente calcular quanto gelo existe hoje.
Os cientistas precisam entender como a geleira se movimenta sobre o terreno escondido sob quilômetros de gelo.
Uma pequena diferença na topografia subterrânea pode alterar a velocidade do fluxo.
E a presença de água também pode mudar a relação entre o gelo e o leito rochoso.
Por isso, descobrir que existem áreas de sedimentos saturados de água e estruturas rochosas mais complexas do que se imaginava pode ajudar a melhorar os modelos utilizados para prever o futuro da geleira.
A descoberta mais surpreendente de 2026
Em julho de 2026, outro estudo trouxe uma conclusão que parece contraditória à primeira vista.
Pesquisadores colocaram a Thwaites em uma situação hipotética extrema:
e se o oceano parasse completamente de derreter o gelo por baixo das plataformas?
Para testar isso, os cientistas utilizaram três modelos avançados de dinâmica das camadas de gelo.
O resultado foi diferente do esperado.
Enquanto a geleira Pine Island, localizada na mesma região, começou a recuperar massa e avançar novamente, a Thwaites continuou perdendo gelo durante os 150 anos da simulação.
Isso não significa que a Thwaites necessariamente perderá gelo durante exatamente 150 anos no mundo real.
Os próprios pesquisadores alertam que o experimento é uma situação hipotética extrema e não uma previsão do futuro.
Mas o resultado revela algo importante.
Parte da perda de gelo atual da Thwaites parece ser uma resposta a mudanças ocorridas no passado, que colocaram a geleira em uma configuração diferente daquela que existia antes da década de 1940.
Mesmo retirando completamente o derretimento oceânico da simulação, a geleira não voltou à configuração anterior durante os 150 anos analisados.
A Thwaites já passou por um ponto de não retorno?
Essa é uma das perguntas mais interessantes.
Mas a resposta precisa ser cuidadosa:
os cientistas ainda não afirmam que a Thwaites atingiu um ponto de não retorno para um colapso total.
O estudo de 2026 mostra que a configuração atual da geleira não pode ser simplesmente revertida apenas eliminando o derretimento oceânico.
Isso é diferente de afirmar que a geleira inevitavelmente entrará em um colapso irreversÃvel.
Os pesquisadores destacam que seus experimentos não demonstram uma futura retirada irreversÃvel e que outras condições oceânicas e processos fÃsicos ainda precisam ser considerados.
Essa diferença é fundamental.
E é justamente o tipo de informação que muitas manchetes sensacionalistas acabam deixando de lado.
O que pode acontecer nas próximas décadas?
Outro estudo publicado em março de 2026 analisou observações recentes da Thwaites e utilizou dois modelos independentes para projetar sua perda de gelo até 2067.
Os resultados variaram bastante dependendo da forma como os modelos foram calibrados.
Nos cenários considerados mais preocupantes, as projeções chegaram a 180 a 200 bilhões de toneladas de perda de gelo por ano em 2067.
Esse resultado não deve ser interpretado como uma previsão única de que a Thwaites necessariamente perderá essa quantidade de gelo em 2067.
Ele mostra justamente uma das grandes dificuldades da ciência:
quanto mais longe tentamos projetar o comportamento de uma geleira complexa, maior é a influência das incertezas dos modelos.
Por isso, os cientistas continuam coletando dados diretamente na Antártida.
Outro estudo publicado em março de 2026 analisou observações recentes da Thwaites e utilizou dois modelos independentes para projetar sua perda de gelo até 2067.
Os resultados variaram bastante dependendo da forma como os modelos foram calibrados.
Nos cenários considerados mais preocupantes, as projeções chegaram a 180 a 200 bilhões de toneladas de perda de gelo por ano em 2067.
Esse resultado não deve ser interpretado como uma previsão única de que a Thwaites necessariamente perderá essa quantidade de gelo em 2067.
Ele mostra justamente uma das grandes dificuldades da ciência:
quanto mais longe tentamos projetar o comportamento de uma geleira complexa, maior é a influência das incertezas dos modelos.
Por isso, os cientistas continuam coletando dados diretamente na Antártida.
Cientistas estão literalmente perfurando a geleira
Em 2026, uma equipe internacional tentou instalar instrumentos sob o tronco principal da Thwaites para obter medições contÃnuas das águas abaixo do gelo.
A missão conseguiu obter dados preliminares que indicaram águas turbulentas e relativamente quentes sob a geleira, mas a etapa final da operação fracassou quando os instrumentos ficaram presos no gelo.
Mesmo assim, os dados obtidos foram considerados importantes porque estão entre as primeiras medições realizadas diretamente sob a região principal de rápido movimento da Thwaites.
O episódio mostra o tamanho do desafio.
Para estudar a geleira, pesquisadores precisam trabalhar em um dos ambientes mais extremos do planeta, perfurando centenas de metros de gelo e tentando instalar equipamentos que precisam funcionar em condições extremamente difÃceis.
O que aconteceria se a Thwaites desaparecesse?
Se toda a Thwaites derretesse, a elevação média global do nÃvel do mar seria de aproximadamente 60 centÃmetros.
Isso seria suficiente para aumentar significativamente o risco de inundações costeiras em diversas partes do mundo.
Mas existe um ponto ainda mais importante.
A perda da Thwaites poderia alterar a estabilidade de outras áreas da Antártida Ocidental.
Por isso, o verdadeiro risco não está apenas nos aproximadamente 60 centÃmetros associados ao gelo da própria geleira.
O temor cientÃfico é que a perda de estabilidade de Thwaites possa contribuir para uma perda muito maior de gelo na região ao longo de perÃodos muito longos.
A camada de gelo da Antártida Ocidental contém gelo suficiente para elevar o nÃvel global dos mares em vários metros caso fosse completamente perdido.
Isso não é uma previsão para as próximas décadas.
É uma questão de estabilidade do sistema ao longo de escalas de tempo muito maiores.
O mundo inteiro seria afetado
A Thwaites está localizada a milhares de quilômetros de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Miami, Nova York ou Londres.
Mas o oceano não respeita fronteiras.
Uma elevação global do nÃvel do mar aumenta o risco de erosão, inundações costeiras e avanço da água salgada em áreas baixas.
E existe outro efeito importante:
uma elevação relativamente pequena do nÃvel médio do mar pode tornar eventos extremos muito mais perigosos.
Uma tempestade que antes causava apenas alagamentos temporários pode alcançar áreas mais para dentro quando parte de uma costa já começa de um nÃvel mais elevado.
Por isso, a preocupação com Thwaites não significa que uma cidade especÃfica será engolida de repente.
Significa que uma mudança lenta no nÃvel dos oceanos pode aumentar progressivamente os riscos para populações costeiras.
A Geleira do Apocalipse vai desaparecer?
Não há evidência cientÃfica de que a Thwaites esteja prestes a desaparecer completamente.
Essa é uma das principais correções que precisam ser feitas quando o assunto é tratado de maneira sensacionalista.
Os estudos mais recentes indicam que o recuo continuará e que a perda de gelo pode permanecer significativa durante muito tempo.
A colaboração internacional que estudou a geleira entre 2018 e 2025 considera improvável um colapso completo nas próximas décadas, embora ressalte que a Thwaites continuará recuando e que uma desestabilização mais ampla da Antártida Ocidental não pode ser descartada.
Portanto, o problema não é uma catástrofe marcada no calendário.
É algo muito mais complexo:
uma mudança lenta que pode continuar durante gerações e alterar gradualmente o nÃvel dos oceanos.
Por que os cientistas continuam preocupados?
Porque a Thwaites já demonstrou que é um sistema extremamente dinâmico.
Ela perdeu massa rapidamente nas últimas décadas, seu recuo acelerou e novas pesquisas continuam revelando processos que ainda não eram completamente compreendidos.
Em 2026, os cientistas descobriram que o terreno sob a geleira é mais complexo do que muitos modelos representavam e demonstraram, em simulações, que parte da perda de gelo atual continuaria mesmo sem derretimento oceânico.
Ao mesmo tempo, estudos recentes continuam mostrando que as condições do oceano podem exercer forte influência sobre o ritmo de perda de gelo.
Ou seja:
a história da Thwaites não possui uma única causa nem uma única variável.
É uma interação entre gelo, oceano, água subterrânea, relevo, sedimentos, temperatura e mudanças ocorridas ao longo de décadas.
Porque a Thwaites já demonstrou que é um sistema extremamente dinâmico.
Ela perdeu massa rapidamente nas últimas décadas, seu recuo acelerou e novas pesquisas continuam revelando processos que ainda não eram completamente compreendidos.
Em 2026, os cientistas descobriram que o terreno sob a geleira é mais complexo do que muitos modelos representavam e demonstraram, em simulações, que parte da perda de gelo atual continuaria mesmo sem derretimento oceânico.
Ao mesmo tempo, estudos recentes continuam mostrando que as condições do oceano podem exercer forte influência sobre o ritmo de perda de gelo.
Ou seja:
a história da Thwaites não possui uma única causa nem uma única variável.
É uma interação entre gelo, oceano, água subterrânea, relevo, sedimentos, temperatura e mudanças ocorridas ao longo de décadas.
Perguntas e respostas rápidas
O que é a Geleira do Apocalipse?
A Geleira do Apocalipse, também chamada de Geleira do JuÃzo Final, é o apelido dado à Geleira Thwaites, localizada na Antártida Ocidental. Ela é uma das maiores e mais instáveis geleiras do planeta.
Onde fica a Geleira Thwaites?
A Thwaites fica na Antártida Ocidental, na região do Mar de Amundsen, onde desemboca na BaÃa de Pine Island.
A Thwaites fica na Antártida Ocidental, na região do Mar de Amundsen, onde desemboca na BaÃa de Pine Island.
Por que a Thwaites é tão perigosa?
Porque sua perda de gelo contribui para o aumento do nÃvel do mar e porque a geleira também ajuda a conter grandes volumes de gelo localizados no interior da Antártida Ocidental.
Quanto o nÃvel do mar subiria se a Thwaites derretesse completamente?
A perda de toda a geleira poderia elevar o nÃvel médio global do mar em aproximadamente 60 centÃmetros. O valor exato varia conforme as estimativas utilizadas.
A Geleira Thwaites vai desaparecer em breve?
Não. Os estudos mais recentes não indicam que um colapso completo ocorrerá nas próximas décadas. Porém, os pesquisadores esperam que a geleira continue recuando e perdendo gelo ao longo deste século e do próximo.
O que os cientistas descobriram em 2026?
Pesquisas recentes revelaram estruturas rochosas, bacias de sedimentos e água subterrânea sob a Thwaites. Outro estudo mostrou que, em uma simulação extrema sem derretimento provocado pelo oceano, a geleira ainda continuaria perdendo gelo durante 150 anos.
A Thwaites pode afetar o Brasil?
Sim, mas não significa que o Brasil seria subitamente inundado. Uma elevação global do nÃvel do mar pode aumentar os riscos de erosão e inundações em áreas costeiras brasileiras, especialmente em regiões baixas.
Por que a geleira recebeu o nome de "Doomsday Glacier"?
O apelido surgiu por causa de seu enorme tamanho, sua rápida perda de gelo e seu potencial de contribuir significativamente para a elevação do nÃvel dos oceanos. O nome é popular, mas não significa que os cientistas prevejam o fim do mundo.
A geleira que o mundo não pode ignorar
A Thwaites ganhou um nome assustador, mas a realidade por trás dele é ainda mais interessante do que o apelido.
Não existe uma contagem regressiva para o desaparecimento da geleira.
Não existe uma previsão cientÃfica de que o planeta ficará submerso em poucos anos.
O que existe é algo muito mais difÃcil de perceber:
uma gigantesca massa de gelo está mudando lentamente, e algumas dessas mudanças podem continuar mesmo se determinadas condições que provocaram o recuo no passado forem interrompidas.
Os pesquisadores agora sabem que há água, sedimentos e estruturas rochosas complexas escondidas sob quilômetros de gelo.
Sabem também que a Thwaites já entrou em uma configuração diferente daquela que possuÃa antes da década de 1940.
E quanto mais eles estudam a geleira, mais percebem que prever seu futuro exige compreender não apenas o gelo que vemos na superfÃcie, mas também o que acontece no mundo escondido abaixo dela.
Talvez seja por isso que a Thwaites seja uma das geleiras mais observadas do planeta.
Porque, na Antártida, uma mudança aparentemente distante pode começar como uma pequena alteração no gelo e terminar refletindo no lugar onde vivemos.
Conteúdo elaborado por Lyu Somah, com base em informações de: International Thwaites Glacier Collaboration (ITGC), Nature, Geophysical Research Letters, American Geophysical Union (AGU), British Antarctic Survey (BAS), National Science Foundation (NSF), University of Northumbria, King's College London e Folha de S.Paulo.

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